segunda-feira, 11 de julho de 2011

OS ARTISTAS UNIDOS vão ficar no TEATRO DA POLITÉCNICA

OS ARTISTAS UNIDOS vão ficar no TEATRO DA POLITÉCNICA

Por protocolo assinado com a Reitoria da Universidade de Lisboa, vão os Artistas Unidos poder instalar-se, a partir de Outubro, no Teatro da Politécnica, na entrada do Jardim Botânico.
Pronto, já sabemos onde poderemos voltar a Enda Walsh. Ou revelar Dimitris Dimitríadis. Ou Giovanni Testori. Vamos ter casa em Lisboa, onde podemos retomar a nossa conversa com Jon Fosse e relembrar os nossos autores mais queridos, Harold Pinter, por exemplo. Em colaboração com a Universidade de Lisboa e os apoios da Câmara Municipal de Lisboa, da Fundação Gulbenkian e do Ministério da Cultuta (agora SEC) abre, connosco, em Lisboa, um teatro de autores. Sim, de gente que escreve. E, mal se consiga, voltaremos a Juan Mayorga, sim. E tentaremos escrever peças neste Portugal estranho. Pois, não vai ser A Capital, isso já não vai haver. Não haverá aquela confluência que foi única de gentes diversas, isso fica só nos nossos corações.
Não será o Teatro Paulo Claro, não. Mas será um teatro com actores, de actores, de autores, de gente que escreve, gente que gosta das palavras de outros. E queremos voltar a ter connosco Spiro Scimone, José Maria Vieira Mendes, David Lescot e Antonio Tarantino e Simon Stephens.
Vamos fazer teatro.
Começamos com um clássico, sim, quem diria?
Peça escrita por um rapaz de vinte e poucos anos, Alfred de Musset, na volta de incurável desgosto de amor, Não se Brinca Com o Amor vem de 1830. Mas não foi aí que se inventou a juventude?
E “disponível, disponível é a juventude. Mesmo que seja incapaz, incompetente, estouvada, destrutiva. Mas é disponível.”, não foi o que nos disse Álvaro Lapa, no filme que fizemos sobre ele, amigo?
E vai haver edições de livros, mais livrinhos de teatro e não só. E vai haver conversas com os espectadores. E dvds, e filmes. E artistas. E vamos estar por lá, lendo, quem sabe, Os Caprichos da Mariana de Musset ou Penélope, a mais recente peça de Enda Walsh, ou comentando Rocco e Os Seus Irmãos, o filme que Visconti adaptou das primeiras e belíssimas novelas de Giovanni Testori, de quem provavelmente leremos os outros dois Prantos. E está prometido: havemos de fazer Sou o Vento de Jon Fosse. E expor os artistas nossos amigos. Começamos com Ângelo de Sousa, esculturas: não sabemos despedir-nos dele. E iremos contar a história deste edifício, onde funcionou a associação de estudantes da Faculdade de Ciências, onde gente como Rui Mário Gonçalves (havemos de o convidar) organizou as primeiras defesas da arte abstracta, onde Nikias Skapinakis expos pela 1ª vez, onde Mário Dionísio deveria ter feito as conferencias que deram lugar à Paleta e o Mundo (mas era tanta a gente que mudaram para o anfiteatro), onde Manuela Porto apresentou o seu Pirandello (Limões da Sicília) e onde Lopes Graça trazia o Coro da Academia dos Amadores de Música, onde temos fotografias de Glicínia Quartin, sentada. Ou de Mário Ruivo. E de José Júlio, os que vieram antes de nós. Iremos contar a história, com os amigos.

Não vai ser o Teatro Paulo Claro, não.
Mas será ele, o Paulo Claro, ele, o nosso logo, junto ao peito.

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